O jogo da imitação: o diploma vem, a competência não

por Frank de Alcantara em 02/06/2026

O jogo da imitação: o diploma vem, a competência não

Nas últimas décadas, o ensino brasileiro passou por uma transformação profunda. Essa transformação não ocorreu apenas nos currículos, nas tecnologias, nas formas de avaliação ou na expansão do acesso. O que mudou de modo mais silencioso foi a própria estrutura do jogo educacional.

Em muitos contextos, o ensino deixou de ser organizado em torno da compreensão de conceitos, da transferência de conhecimento e da resolução de problemas novos. Em uma educação intelectualmente mais exigente, o professor apresentaria um conhecimento A , apresentaria também um conhecimento B e, na avaliação, cobraria um conhecimento C , que não foi simplesmente repetido de algo que aconteceu em aula, mas que pode ser inferido pela combinação, adaptação ou generalização de A e B (mais ou menos o que esperamos das ferramentas de IA, ainda que se discuta se elas generalizam ou apenas imitam). Em seu lugar, consolidou-se um modelo no qual o professor apresenta uma técnica, resolve alguns exemplos e depois cobra, principalmente nas avaliações, que os alunos apliquem a mesma técnica a problemas muito parecidos, eventualmente idênticos ou que não requerem combinação, adaptação ou generalização. Neste ponto, a inferência e a criatividade foram substituídas por reconhecimento de padrões. A transferência foi substituída por reprodução. A compreensão foi substituída por memorização.

Chamo esse fenômeno de jogo da imitação.

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